Contratar um serviço de outsourcing de impressão exige mais do que comparar equipamentos, franquias e valores mensais. Uma proposta aparentemente econômica pode esconder prazos pouco claros, baixa capacidade de atendimento, custos adicionais e falta de indicadores para acompanhar a qualidade do serviço.
Na prática, sua empresa não está contratando apenas impressoras. Está contratando disponibilidade, suporte técnico, fornecimento de suprimentos, controle de custos, segurança da informação e continuidade operacional.
Quando uma impressora para, o impacto pode atingir diferentes áreas. Contratos deixam de ser enviados, etiquetas não são emitidas, documentos fiscais atrasam e colaboradores interrompem suas atividades para tentar resolver um problema que deveria estar sob responsabilidade do fornecedor.
Por isso, antes de contratar outsourcing de impressão, é fundamental analisar dois pilares: SLA e governança.
O SLA define o nível de serviço que deverá ser entregue. Já a governança estabelece como o desempenho será acompanhado, medido e aprimorado durante o contrato.
Mas como identificar uma proposta realmente confiável? As dez perguntas a seguir ajudam sua empresa a comparar fornecedores com mais segurança.
1. O que está incluído no SLA do outsourcing de impressão?
SLA é a sigla para Service Level Agreement, ou Acordo de Nível de Serviço. Ele estabelece quais serviços serão entregues, dentro de quais condições e em quanto tempo.
Um SLA de outsourcing de impressão bem estruturado deve informar:
- horários e regiões de atendimento;
- canais para abertura de chamados;
- prazo para início do atendimento;
- prazo para diagnóstico;
- prazo para solução;
- níveis de prioridade;
- responsabilidades de cada parte;
- situações excluídas da medição;
- medidas aplicáveis em caso de descumprimento.
Desconfie de expressões genéricas como “suporte rápido”, “atendimento ágil” ou “solução eficiente”. Sem critérios mensuráveis, essas promessas ficam abertas a interpretações.
Também é essencial diferenciar o prazo de atendimento do prazo de solução. Um fornecedor pode responder ao chamado rapidamente e, mesmo assim, deixar o equipamento parado por vários dias.
A pergunta central é: o SLA protege a operação da sua empresa ou apenas registra que o fornecedor recebeu a solicitação?
A ISO/IEC 20000-1, uma norma internacional voltada à gestão de serviços de tecnologia da informação, estabelece requisitos para que as empresas planejem, entreguem, monitorem e melhorem continuamente seus serviços de forma organizada e mensurável. Aplicada ao outsourcing de impressão, essa lógica reforça que o SLA não deve ser apenas uma cláusula contratual, mas parte de uma gestão estruturada, com responsabilidades claras, indicadores de desempenho e acompanhamento contínuo da qualidade do serviço.
2. Como os chamados técnicos serão classificados?
Nem todos os problemas possuem o mesmo impacto.
Uma impressora administrativa com outros equipamentos disponíveis nas proximidades não deve receber necessariamente o mesmo tratamento de uma impressora responsável pela emissão de etiquetas logísticas, documentos fiscais, prontuários ou ordens de produção.
Por isso, o fornecedor deve explicar como os chamados serão classificados.
Os critérios podem considerar:
- quantidade de usuários afetados;
- criticidade do processo;
- existência de equipamento alternativo;
- impacto financeiro;
- risco de paralisação;
- necessidade de atendimento presencial.
Sem uma classificação objetiva, a prioridade pode acabar sendo definida pela insistência de quem abriu o chamado. Isso gera conflitos, prejudica a transparência e dificulta o acompanhamento do contrato.
Equipamentos críticos também devem ser identificados durante o diagnóstico inicial do parque de impressão. Dessa forma, é possível definir prazos diferenciados, equipamentos de backup e estratégias específicas de contingência.
Uma boa governança começa antes de o problema acontecer.
3. Qual é o prazo de atendimento e qual é o prazo de solução?
Essa é uma das perguntas mais importantes antes de contratar outsourcing de impressão.
O prazo de atendimento indica quanto tempo o fornecedor pode levar para iniciar a análise do chamado. Já o prazo de solução determina quando o equipamento ou serviço deverá voltar a funcionar.
Imagine um contrato que prometa atendimento em até quatro horas, mas não estabeleça um prazo para a resolução. Nesse cenário, o técnico pode iniciar o atendimento dentro do período acordado, enquanto a impressora permanece indisponível por muito mais tempo.
Para evitar esse problema, o contrato deve apresentar métricas separadas, como:
- tempo médio de resposta;
- tempo médio de atendimento;
- tempo médio de solução;
- percentual de chamados resolvidos dentro do SLA;
- quantidade de reincidências;
- tempo total de indisponibilidade.
Esses indicadores ajudam a identificar a qualidade real do suporte.
Afinal, sua empresa precisa apenas de uma resposta ou precisa voltar a operar?
4. Como a disponibilidade dos equipamentos será medida?
A disponibilidade, também chamada de uptime, representa o percentual de tempo em que os equipamentos permanecem operacionais dentro de determinado período.
Esse indicador é importante, mas precisa ser acompanhado de uma metodologia clara.
Uma disponibilidade contratual de 98,5%, por exemplo, pode parecer satisfatória. No entanto, a empresa deve entender:
- qual será a janela de medição;
- quais paralisações serão desconsideradas;
- se o cálculo será feito por equipamento ou pelo parque completo;
- como serão tratados períodos de manutenção preventiva;
- se falta de toner será considerada indisponibilidade;
- se falhas de software ou rede fazem parte do escopo;
- quando um equipamento parcialmente funcional será considerado disponível.
Sem uma fórmula documentada, fornecedor e cliente podem chegar a conclusões diferentes sobre o mesmo resultado.
Vale destacar que uptime, tempo médio de atendimento e tempo médio de solução estão entre os principais indicadores de um serviço de impressão gerenciado. O acompanhamento contínuo permite identificar tendências, corrigir falhas e tomar decisões com base em dados.
5. Existe um plano de contingência para impressoras críticas?
Mesmo os parques de impressão mais bem administrados podem apresentar falhas. A diferença está na capacidade de manter a operação funcionando enquanto o problema é resolvido.
Um bom contrato de outsourcing de impressão deve apresentar um plano de contingência para os equipamentos críticos.
Esse plano pode envolver:
- impressoras de backup;
- redirecionamento de filas;
- estoque local de peças;
- substituição temporária;
- equipamentos reservas;
- atendimento técnico prioritário;
- reposição emergencial.
Também é necessário definir quem pode ativar a contingência e quanto tempo o fornecedor terá para disponibilizar a alternativa.
Não basta afirmar que existe um equipamento reserva. Ele precisa estar acessível, compatível com a demanda e pronto para utilização.
Durante o diagnóstico inicial, o fornecedor deve mapear volumes, picos de uso, processos críticos, localização dos equipamentos e possíveis rotas alternativas de impressão.
Quais setores da sua empresa seriam mais afetados por algumas horas de paralisação? Essa resposta ajuda a identificar onde a contingência não pode ser opcional.
6. Quais indicadores estarão disponíveis nos relatórios?
A governança do outsourcing de impressão depende de dados confiáveis.
Sem indicadores, as reuniões de acompanhamento costumam se basear em percepções. Um departamento acredita que o serviço melhorou, outro continua insatisfeito e o fornecedor afirma que cumpriu todas as obrigações.
Um relatório de gestão deve apresentar informações como:
- disponibilidade dos equipamentos;
- quantidade de chamados abertos e encerrados;
- tempo médio de atendimento;
- tempo médio de solução;
- falhas reincidentes;
- volume por departamento;
- consumo por centro de custo;
- uso de impressão colorida;
- percentual de frente e verso;
- utilização de cada equipamento;
- consumo e reposição de suprimentos;
- custos do período;
- equipamentos subutilizados ou sobrecarregados.
A frequência dos relatórios também precisa estar definida.
Dependendo do porte e da criticidade da operação, o acompanhamento pode ser mensal, quinzenal ou realizado em tempo real por meio de dashboards.
Os relatórios não devem servir apenas para comprovar que o fornecedor trabalhou. Eles precisam apoiar decisões, como realocação de equipamentos, revisão de políticas, ajuste de franquias e redução de desperdícios.
7. Como serão realizadas as reuniões de governança?
Ter relatórios não significa necessariamente ter governança.
É preciso estabelecer quando os resultados serão analisados, quem participará das reuniões, quais decisões poderão ser tomadas e como as ações serão registradas.
Uma reunião de governança pode envolver representantes de:
- Tecnologia da Informação;
- Compras;
- Financeiro;
- Segurança da Informação;
- áreas usuárias;
- fornecedor de outsourcing.
Cada área avalia o contrato por uma perspectiva diferente.
A TI acompanha a estabilidade e a integração dos equipamentos. Compras verifica o cumprimento contratual. O Financeiro analisa custos e previsibilidade. As áreas usuárias relatam o impacto do serviço na produtividade.
Uma pauta de governança pode abordar:
- resultados dos indicadores;
- chamados críticos;
- reincidência de falhas;
- desvios de SLA;
- custos e consumo;
- riscos operacionais;
- ações corretivas;
- oportunidades de melhoria;
- metas do próximo período.
Cada decisão deve gerar um responsável e um prazo.
Sem esse acompanhamento, os mesmos problemas podem ser discutidos várias vezes sem chegar a uma solução definitiva.
Governança não é burocracia. É o processo que transforma dados em decisões e decisões em melhorias concretas.
8. Como serão calculados custos, franquias e excedentes?
Uma proposta com baixo valor mensal nem sempre representa o menor custo total.
Antes de contratar outsourcing de impressão, analise detalhadamente tudo o que está incluído no contrato.
Verifique:
- quantidade de páginas incluídas;
- valor das páginas excedentes;
- diferenciação entre impressão colorida e monocromática;
- regras para páginas não utilizadas;
- equipamentos incluídos;
- peças cobertas;
- suprimentos fornecidos;
- custos de instalação;
- cobrança por deslocamento;
- substituição de equipamentos;
- reajustes;
- multas e condições de encerramento.
Itens como cilindros, fusores, cabeças de impressão, kits de manutenção e equipamentos de backup também precisam estar claramente definidos.
Expressões como “manutenção completa” ou “suprimentos inclusos” podem gerar dúvidas caso o contrato não detalhe exatamente o que está coberto.
Os contadores utilizados para faturamento devem ser auditáveis e acessíveis ao cliente.
Um dos principais benefícios do outsourcing de impressão é a previsibilidade financeira. Quando a empresa não consegue calcular quanto pagará em diferentes cenários, essa vantagem fica comprometida.
9. Quais medidas protegem a segurança da informação?
Impressoras e multifuncionais fazem parte da infraestrutura de tecnologia da empresa.
Elas recebem arquivos, processam documentos, armazenam trabalhos temporariamente e permanecem conectadas à rede corporativa. Por isso, também podem representar riscos à segurança e à privacidade.
Antes da contratação, verifique se a solução oferece:
- autenticação de usuários;
- impressão segura;
- liberação por senha, cartão ou crachá;
- criptografia;
- controle de acesso administrativo;
- atualização de firmware;
- exclusão segura de dados;
- trilhas de auditoria;
- desativação de protocolos inseguros;
- relatórios por usuário.
A ISO/IEC 27001 estabelece requisitos para a gestão da segurança da informação, considerando confidencialidade, integridade e disponibilidade. Esses princípios também devem orientar a gestão do ambiente de impressão.
A empresa ainda precisa saber o que acontecerá ao final do contrato.
Como os dados armazenados nos equipamentos serão eliminados? Os acessos técnicos serão revogados? O fornecedor apresentará alguma evidência do procedimento?
Quando documentos financeiros, dados pessoais, contratos e informações estratégicas passam pelas impressoras, segurança não pode ser tratada como um recurso adicional.
10. O contrato prevê melhoria contínua e sustentabilidade?
O parque de impressão não permanece igual durante todo o contrato.
Empresas crescem, departamentos mudam, novos processos são implementados e parte da demanda pode ser substituída pela digitalização. Uma solução adequada no início pode se tornar ineficiente após alguns meses.
Por isso, o fornecedor deve realizar avaliações periódicas e propor melhorias.
Essas melhorias podem incluir:
- realocação de impressoras;
- substituição de equipamentos;
- revisão das franquias;
- redução de pontos ociosos;
- reforço de áreas sobrecarregadas;
- novas políticas de impressão;
- atualização tecnológica;
- integração com processos digitais.
As metas ambientais também devem fazer parte da gestão.
Indicadores como impressão frente e verso, consumo de papel, uso de cor, gasto de energia, descarte de cartuchos e número de reimpressões ajudam a unir eficiência operacional e responsabilidade ambiental.
O outsourcing bem estruturado permite imprimir somente o necessário, reduzir desperdícios, utilizar equipamentos mais eficientes e garantir a destinação adequada dos consumíveis.
Além de gerar economia, essas práticas contribuem para os compromissos ESG da empresa.
A pergunta não é apenas se o fornecedor consegue manter as impressoras funcionando. Ele será capaz de ajudar sua empresa a imprimir melhor durante todo o contrato?
Como comparar propostas de outsourcing de impressão
O preço é um critério importante, mas não deve ser analisado isoladamente.
Duas propostas semelhantes podem oferecer níveis muito diferentes de suporte, segurança, transparência, disponibilidade e governança.
Antes de tomar uma decisão, transforme cada promessa comercial em uma condição objetiva.
Os prazos precisam ter início e término definidos. Os indicadores devem apresentar fórmulas conhecidas. As reuniões de governança precisam gerar planos de ação. Responsabilidades, exclusões, contingências e penalidades devem estar registradas.
Também é recomendável envolver as áreas impactadas pela contratação. TI, Compras, Financeiro, Segurança da Informação e gestores operacionais podem identificar riscos que não aparecem em uma análise exclusivamente comercial.
Um bom contrato de outsourcing de impressão não elimina apenas a necessidade de comprar equipamentos e suprimentos. Ele cria um ambiente monitorado, previsível, seguro e preparado para evoluir.
É isso que diferencia uma simples locação de impressoras de um serviço completo de gestão de impressão.
Enfim, SLA e governança não são detalhes contratuais. Eles determinam como o serviço será entregue, medido e corrigido ao longo da parceria.
Ao fazer essas dez perguntas antes de contratar outsourcing de impressão, sua empresa terá mais condições de comparar fornecedores, evitar ambiguidades e escolher uma solução compatível com as necessidades reais da operação.
Na InPrint, o outsourcing de impressão é estruturado a partir de um diagnóstico completo do ambiente, com dimensionamento adequado, suporte técnico, acompanhamento de indicadores, contratos transparentes e foco em continuidade operacional.
Mais do que disponibilizar impressoras, a proposta é transformar o ambiente de impressão em um serviço controlado, confiável, econômico e sustentável.
Referências:
AGÊNCIA NACIONAL DE PROTEÇÃO DE DADOS. Guia orientativo sobre segurança da informação para agentes de tratamento de pequeno porte. Brasília, DF: ANPD, 2021. Disponível em: https://www.gov.br/anpd/pt-br/centrais-de-conteudo/materiais-educativos-e-publicacoes/guia-orientativo-sobre-seguranca-da-informacao-para-agentes-de-tratamento-de-pequeno-porte. Acesso em: 20 jul. 2026.
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